Numa região nobre da cidade de São Paulo onde a mensalidade de um estacionamento pode alcançar R$ 600, empresas pagam flanelinhas para reservar vagas aos seus funcionários nas vias públicas.

A rotina desses guardadores nas imediações da avenida Faria Lima (zona oeste de SP) inclui chegar mais cedo para reservar vaga na rua, ficar com as chaves dos carros e estacioná-los com bastante espaço uns dos outros -para encaixar os próximos veículos que chegam.

Um dos principais diferenciais é a clientela, formada por escritórios de advocacia e arquitetura, que pagam mensalidades entre R$ 100 e R$ 320 por vaga -e ganham até recibo do flanelinha.

O advogado Carlos Marcondes, 27, começou a trabalhar na região há um mês e ficou satisfeito com a vaga do flanelinha que ganhou como um “benefício” da empresa.

“O escritório em que trabalhava antes não tinha vagas, então eu vinha de metrô. Agora venho de carro porque meu escritório é que paga pelo flanelinha”, afirma ele.

O escritório Mello Hached & Dabus aluga sete vagas na rua para seus funcionários.

O flanelinha Jorge, que atua na rua Coronel Irlandino Sandoval, e outros quatro guardadores possuem quatro “pessoas jurídicas” entre os clientes das proximidades.

Dois flanelinhas da região, que se identificam como Rivaldo e Alemão, confirmam reservar 15 vagas cada para empresas da Faria Lima.

Para uma delas, Rivaldo entrega os recibos há um ano ao setor financeiro. “Se chegar alguma multa no período em que a gente toma conta do carro, a gente paga”, conta.

A cobrança para estacionar na rua é contravenção penal. Para Maurício Januzzi, presidente da Comissão de Trânsito da OAB-SP, tanto empresas como flanelinhas “são passíveis de investigação pelo Ministério Público” devido ao uso da via pública.

A Polícia Militar diz que faz operações específicas para prevenção de crimes, mas que “muitas vítimas não registram as ocorrências na delegacia”, dificultando a ação.

Fonte: Folha.com